quarta-feira, 25 de agosto de 2010

OBRAS PARA UNIÃO DEVERÃO SEGUIR PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS

As empresas que realizam serviços e obras para o governo federal serão obrigadas a seguir critérios sustentáveis, segundo a Instrução Normativa nº 1, publicada no Diário Oficial e em vigor desde 20 de fevereiro. Essas normas, de acordo com o Ministério do Planejamento, vão constar dos editais de licitação que serão lançados daqui para a frente.
Com as novas regras, o governo pretende economizar nos gastos com manutenção e operação dos edifícios públicos, além de reduzir o consumo de energia e água, usando tecnologias e materiais que reduzam o impacto ambiental.
- Essas medidas servem como exemplo para a sociedade ao mesmo tempo que induzem os fornecedores a se prepararem para fabricar produtos e serviços sustentáveis - destaca Rogério Santanna, secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento.
Entre as novas determinações, está a exigência para que as construtoras tenham um projeto de gerenciamento de resíduos provenientes da construção civil que atendam às normas do Conselho Nacional do Meio Ambiente. Dessa forma, os resíduos das obras seriam destinados a aterros sanitários ou a usinas de tratamento de lixo.
No caso das obras públicas, estão previstos sistemas de reutilização de água; procedimentos para reduzir o consumo de energia; uso de materiais reciclados, biodegradáveis e que reduzam a necessidade de manutenção; além da implantação de energia solar. A origem da madeira utilizada deverá ser comprovada. O governo federal recomenda ainda que bens e serviços sejam constituídos, total ou parcialmente, por material atóxico, biodegradável e reciclado, e que não contenham substâncias perigosas em concentração acima do recomendado pela Diretriz Europeia RoHS (Restriction of Hazardous Substances), como o chumbo.

CERTIFICAÇÃO LEED

O LEED é um sistema de certificação internacionalmente reconhecida para edifícios verdes de forma  voluntária, criada pelo USGBC(EUA GREEN BUILDING COUNCIL), visando proporcionar uma constatação de que um prédio foi projetado e construído através de estratégias que visam melhorar o desempenho em todas as métricas; como: poupar energia,eficiência na utilização da água, reduzir as emissões de CO2 na atmosfera, melhorar a qualidade ambiental interna e gestão de seus recursos além de  sensibilizar os impactos. O LEED fornece aos integrantes um material conciso para a identificação e implementação do Green Building em construções, designers, operações e soluções de  manutenções. Este sistema é flexível para aplicação a todos os tipos de edificações - comerciais bem como residenciais. Ele promove uma abordagem de toda a construção para a sustentabilidade, reconhecendo o desempenho em áreas-chave:

                            Espaço Sustentável                                                                                       
Escolher um local de construção e pela gestão que durante a construção são consideradas importantes para a sustentabilidade de um projeto. A categoria S Sites Sustentáveis desestimula o desenvolvimento de terrenos anteriormente não urbanizados; minimiza o impacto de um edifício sobre os ecossistemas e as vias navegáveis como também incentiva regionalmente um paisagismo adequado; recompensas por escolhas de transporte inteligentes, controles de escoamento de águas pluviais,  redução de erosão, poluição luminosa, efeito     da ilha de calor e poluição relacionados com a construção.

                                      
                                Uso  racional da água
                             
Os edifícios são os principais usuários do abastecimento potável. O objetivo desta categoria é incentivar o uso inteligente dá água dentro e fora da construção. A redução da água normalmente através de aparelhos mais eficientes.



                      
                          Energia e atmosfera

     Segundo o departamento de energia dos EUA as edificações consomem 39% da energia e 74 % da eletricidade produzida a cada ano nos EUA. Esta categoria encoraja uma ampla variedade de estratégias para energia: comissionamento,monitoramento no uso da energia, designer, eletrodomésticos eficientes, sistemas de iluminação, utilização de fontes renováveis e limpas de energias, geradas no local ou não; e/ou outras estratégias inovadoras.


                            Materiais e recursos

 Durante as etapas de construções e operações, edifícios podem gerar grandes quantidade de resíduos além de usarem materiais e recursos. Esta categoria incentiva a seleção de forma sustentável cultivados, colhidos, produzidos e transportados os produtos e materiais. Ela promove a redução de resíduos, bem como a reutilização e reciclagem além de levar em conta a redução de resíduos na origem do produto.

                            Qualidade Ambiental Interna
                                
A Agência de proteção ambiental nos EUA estima que os americanos gastam cerca de 90% do seu dia dentro de casa, onde a qualidade do ar pode ser significamente pior do que fora. A Qualidade Ambiental Interna da crédito às estratégias que podem melhorar o ar interior, bem como proporcionar o acesso à luz natural e melhorar a acústica.
                                    
                             Escritório e articulações
                        
O LEED reconhece muito o impacto que uma casa tem sobre o meio ambiente, a sua localização e como esta se encaixa neste lugar. Os créditos incentivam que imovéis sejam construídos fora de locais ambientalmente sensíveis e esta categoria recompensa casas que são construídas perto de infraestrutura já existente, onde tenha possibilidade de abrir espaços para atividades físicas no exterior como caminhada.

                              Conscientização e Educação

O LEED para o sistema de classificação de imovéis reconhece que um construção só pode ser verde se todos os ocupantes que nele habitam tem práticas sustentáveis ao máximo de suas atitudes. Os créditos de conscientização e educação incentivam construtoras e profissionais do setor imobiliário o fornecimento de ferramentas educativas as quais proporcionem um conhecimento máximo para a utilização correta dos recursos.

                               Inovação em Design

A categoria de crédito inovação em design oferece pontos de bônus para projetos que utilizam tecnologias novas e inovadoras além de estratégias para melhorar o desempenho de um edifício muito além do que é exigido por outros créditos LEED ou em considerações de contruções verdes que não sejam especificamente tratados em outros LEEDS.

                                Prioridade regionais

O USGBC em conselhos regionais detectaram que as preocupações ambientais tem particularidades em cada região distinta no país e definiram seis créditos LEED que abordam as necessidades locais selecionadas para cada localidade. Um projeto que ganha crédito de prioridade regional  irá ganhar um ponto de bônus além dos pontos atribuídos a esse crédito. Até quatro créditos extras podem ser obtidos desta maneira.


A COPA O VERDE

Nesse universo cheio de selos que é o da sustentabilidade, a cidade canadense de Vancouver conquistou o de “primeiros jogos de inverno verdes” no começo deste ano. Por problemas estruturais, a África do Sul não tem como colar um selo parecido na Copa de daqui a pouco. Por conta disso, está aberto o caminho para que o Brasil entre em campo no Mundial de 2014 já com um título, o de “primeira Copa sustentável”.


Apesar dos atrasos nas obras, quem põe a mão na massa da construção ambientalmente correta se anima com a possibilidade de o verde ir muito além do gramado na Copa brasileira. Primeiro porque a Fifa não obriga, mas recomenda o respeito ao ambiente. O ministro do Esporte, Orlando Silva, entendeu o recado e, no final de abril, assinou acordo com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, para desenvolver uma agenda sustentável até o Mundial. Medida louvável, mas tardia. Se dependessem disso para o pontapé inicial nas obras, nossos estádios ficariam sustentáveis, com certeza, mas só na Copa de 2018.

“O processo para a obtenção de uma certificação internacional de sustentabilidade começa na escolha do terreno”, lembra Marcos Casado, gerente técnico do Green Building Council Brasil. O GBC fornece o certificado mais cobiçado no mundo verde, o LEED – Leadership in Energy and Environmental Design (ou Liderança em Design de Energia e Meio Ambiente). O certificado assegura que a obra, no mínimo, usa água de forma responsável, é energeticamente eficiente, está em região de fácil acesso por transporte público e é feita com materiais que não espalham pegadas de carbono por aí.

Segundo a Green Building Council, quatro arenas brasileiras candidatas a abrigar jogos da Copa já estão em pleno processo de obtenção do certificado: Mineirão (BH), Vivaldão (Manaus), Arena Cuiabá e Mané Garrincha (Brasília). Outras quatro – Maracanã (Rio), Cidade da Copa (Recife), Das Dunas (Natal) e Fonte Nova (Salvador) – se comprometeram a seguir a cartilha da sustentabilidade certificada pelo LEED.

Praticamente com a mão na taça da certificação ecológica, os responsáveis pela construção da Arena Cuiabá enumeram as medidas que vão garantir o selo mato-grossense: “O estádio fica numa região urbana que está sendo revitalizada, os sistemas elétricos visam a eficiência, a água será reaproveitada e as plantas nativas compõem o paisagismo”, diz Alessandra Araújo, diretora da GCP Arquitetos e responsável pela sustentabilidade no projeto.

Claro que a questão ambiental na Copa não se limita à construção das arenas. Organizadores e poder público têm quatro anos para, por exemplo, desenvolver planos a respeito do que fazer com os resíduos, a alimentação que deve ser oferecida aos torcedores, como equacionar a questão do transporte, etc. Se as ideias derem certo, a taça do verde é nossa. Caso contrário, sofreremos uma derrota daquelas que não terminam com o apito do juiz.

GREEN BUILDING PROJETA COPA 2014

O Sindicato da Arquitetura e Engenharia (Sinaenco) lançou no início de junho a carta verde para recomendar que os projetos para a Copa 2014 adotem de práticas de construção, urbanismo inclusivo e compras públicas de materiais com menor impacto ambiental.
Segundo a Carta Verde, que teve apoio de 100 profissionais reunidos na sede do sindicato, os projetos devem ter coleta e reaproveitamento de água da chuva, maximização da eficiência energética, além e fontes alternativas.
O setor de construção civil será um dos principais beneficiários dos investimentos billonários até a inauguração da Copa 2014, com a necessidade de reforma de estádios, construção de novos, além de adequação dos setores de transportes de hotelaria turismo e infraestrutura para as comunicações.
Além disso, o sindicato sugeriu mudanças nas licitações públicas para a copa para garantir compras de materiais e a contratação de serviços que permitam menor impacto ambiental e incentivos fiscais e financiamento diferenciados para os projetos com as mesmas características.
Referente ao urbanismo, a carta da ênfase a mobilidade, acesso a transporte movido a biocombustíveis e construções permanentes que tenham utilidade após o evento esportivo, deixando que a população aproveite a infraestrutura construída.